20080728

Bolso do Sobretudo.

Durante todo o dia fugi de mim mesmo e de meus pensamentos que te perceguiam. Acordei um pouco depois da manhã, abri o guarda-roupa e estiquei o braço ao fundo. Peguei aquele velho sobretudo, que comprei naquela viagem que fiz no inverno de dois anos atrás. Estava meio empoeirado, mas nada como umas boas batidinhas no ar. As particulas do pó pairando sobre o ar, e a luz do sol contra as mesmas, faz-me assimilar isso tudo a mim e meus pensamentos. Estão por ai, soltos. Pairando. Contra a luz. No ar, para quem quiser. Sem compromisso ou alguma coisa a ver com o que há. Bate contra a luz, e voa por ai. Meus pensamentos soltos, que me fizeram ficar parado por muito tempo, e só me dei conta agora. Pensamentos que de certa forma me complicaram contra minha pessoa. Fiquei parado. Estava esperando algo. O que? Não sei.

Saí à rua olhando tudo a minha volta, como sempre faço. Os sons, as cores, os ruídos, as pessoas, todos aqueles rostos que passam pelo meu olhar. Tudo se fundiu. Mais uma vez os pensamentos que antes de me perceguirem, te perceguem. O mais engraçado é que eu possa estar em qualquer lugar, por entre todos esses rostos, começo a procurar o seu. A cada rua, quadra, avenida, esquina. A cada passo. Por mais que eu saiba que isso não acontecerá, ainda carrego a tola e insignificante esperança.

Vou andando mais rápido, tenho pressa. Chegar atrasado mais uma vez acabaria comigo. Perco mais um compromisso. Ajeito mais uma vez o sobretudo que comprei no inverno de dois anos atrás. Eu era mais magro do que sou hoje. "A dois anos atrás". Meu passado. Queria poder fugir dele. Ele também corre atrás de mim. E ele, com certeza, está vindo, e chegando cada vez mais perto, querendo me apunhalar e acabar comigo. E nem está se importando se eu acertei ou não com minhas atitudes. Ele está por vir. E não está nem ai.

Ando mais um pouco. Mais rostos. A procura continua. O fracasso também. Muitas pessoas parecem não entender meu ponto de vista. Acham que eu erro sempre, em todas as atitudes. Acham que eu devo colocar tudo a perder por meras palavras, que podem derrubar o que ainda está sendo construído. Elas não entendem o que sinto. Nessa horas me sinto um maníaco psicopata. Sabe, aqueles pessoas que fazem coisas que ninguém entende? E que em muitos momentos são repudiadas, abandonadas? As vezes me acham louco por pensar em você, na sua presença. Não me importa os que não me entendem. Arrumo o sobretudo do inverno de dois anos atrás e faço um ar de "pomposo", como quem relamente não se importa, ou não quer saber. Tudo o que preciso saber é que você, querendo ou não, é uma pessoa que me ajuda, e me torna melhor. Tudo o que eu preciso saber é que você está do meu lado quando tudo isso vem a tona. Mas, infelizmente, não está quando você me vem a tona. O sobretudo aperta mais uma vez.

Arrumo mais uma vez aquele sobretudo, já meio batido, afinal, é de dois invernos atrás. Ele está colado no corpo como nunca esteve. Sinto que todos ao meu redor me olham de maneira estranha, não sei explicar. Entro naquela cafeteria, peço um café grande, bem forte e com aroma de vanilla. Isso consegue me acalmar em qualquer hora. Sento a mesa e choro. Choro por não mais saber o que fazer e por estar confuso. Odeio não ter minhas idéias no lugar. Choro por quere fugir de tudo isso. Por querer fugir dos meus pensamentos desgraçados e do passado. Sinto uma dor no abdome, o sobretudo me aperta.

Saindo, arrumo mais uma vez o sobretudo, já estava começando a me irritar. Coloco a mão no bolso. Quando olho o bolso, lá está ele. Meu passado. Ele me achou.

20080727

Título?

Outro dia estava eu, com uma amiga, pensando sobre a vida. Chegamos a conclusão de que o perfeito é uma coisa de dar medo, que no fundo não somos prontos para o perfeito, e nem o queremos. Sempre sonhamos com algo assim, 'perfeito', mas quando achamos entramos em parafuso, precisamos achar algum tipo de defeito, e se não conseguimos, passamos apenas a ter medo. História confusa, não? Então vamos do começo.

Quando você surgiu em minha vida, você não passava de mais uma pessoa, cheguei a ter aqueles pensamentos, mas você me surpreendeu. Vi a pessoa boa que você é, vi o tão quanto 'do bem' você é. Até ai tudo bem, pessei a te ter em meu coração como uma amizade incondicional, sem limetes, e com aquele amor de cuidado, querendo te proteger, te ajudar e te entender. Mas acho que você é algo que eu jamais entenderei.

Acontece que nos últimos tempos, percebi que toda aquela imagem que eu tenho de você cresceu mais e mais, e tudo só se confirmou. Vi que você é mais especial do que eu pensava. E agora esse sentimento incondicional de amizade está confuso na minha cabeça.

Pensei muito sobre, acho que não vale a pena arriscar tudo. Então, decidi cuidar de você, mas acho que você não precisa de cuidados, e que toda aquela imagem de pessoa retraida e quase sem vida que eu tinha de você, foi pelo ralo, pois na verdade, ela não existe. Mas todo aquele amor incondicional que eu tenho, ainda existe, e meu maior medo é mesmo, ele está confuso, e não sei se toda essa amizade por mim você sente de forma múltua. Tenho medo, e se nascer uma borboleta entre seus cabelos?* Não quero uma borboleta, independente de sua cor.

Como acho que já disse, desencanei. E passo a ter minhas dúvidas de se realmente não quero nenhuma borboleta. Mas ainda não estava pronto. Ver aquela cena e todo o acontecimento em si, realmente me deixou pensativo (e meio acabado). Por diversos motivos. Pelo sentimento em confusão, pela situação, por você, e por pensar que esse tipo de coisa não acontece comigo. Não acontece? na verdade sim, acontece. Mas acontece no mundo da fantasia que eu criei na minha vida e me deixei entrar, e fiz todos acreditarem nesse mundo. Agora esse mundo entra em conflito comigo mesmo, pelo motivo dele não existir e eu querer morrer com isso.

Enfim, chega. Prefiro agora ficar pensando e, meio que, ficar me matirizando, ficar sofrendo. Sofrendo pelo sentimento em confusão, e pelo maldito mundo que eu criei, e que agora cai na minha cabeça. E que não venha a nascer nenhuma borboleta na minha cabeça, ou entre meus cabelos.



*Para entender a coisa com borboletas, leia "Uma história de borboletas", de Caio Fernando Abreu. Garanto que vale a pena.

20080724

Fotografia empoeirada

Vivi tanto tempo numa fotografia escura, jogada no canto da gaveta... Empoeirada, manchada, virada de costas para a luz.
Tanto tempo estática, tanto tempo contemplando o sorriso mais falso, o cabelo mais arrumado, que esqueci...
Esqueci-me de quais são as cores da vida, quais são as cores dos teus olhos, tão lindos olhos que tanto me alegravam.
Esqueci-me das multifacetas do cristal, do cheiro das flores, do arder do sol.
Esqueci-me do tato, do carinho, do arrepiar.
Da calmante sensação que é o entardecer, do alívio e prazer que é sentir o sereno na madrugada.
Do beijo na testa, dedos entrelaçados, café da manhã na cama.
Esqueci-me de tudo e todos, por ter sido esquecida, lá, no canto escuro da gaveta, com um sorriso bobo, virado de costas para a luz.(...)

Vivi tanto tempo na fotografia que me esqueci do que é vida.
Gostaria de lembrar.



-
Não sei mais onde pôr parágrafos!

Enfim... Isso é um tanto antigo. Não têm acontecido muitas coisas legais de se escrever sobre. Desculpe.

20080620

Ai! Mas que merda...

Dentre tantas outras coisas para escrever, mais uma vez acabo nesse bicho que se chama ser humano. É incrível como nunca sabemos até que ponto os outros querem chegar. Você fica confuso, sem reação, sem saber, relamente, o que fazer. Ou o que tentar.
Agora estou aqui, me remoendo de raiva. chorando pelo leite que nem foi derramado (Oi?!). Mas enfim, tava no fogo de postar hoje.
Preciso aprender a tomar certas atitudes e ligar o "foda-se". Chega de fazer merda, né, Giovane?

(E essa fucki'n "greve" de professores? Na minha escola greve é luxo! u.ú)



Um beijo.
; )

20080615

Let's go

Ah, minha primeira postagem. Depois de um bom tempo com um convite pendente, um dia senti a necessidade de escrever. Simplesmente escrever. Sobre algo que me incomodava, ou sei lá, só queria escrever. Mas segundo o próprio servidor “Ah, não! O convite expirou!”. Oh, mas que bela merda.

Mas enfim, agora estou aqui, sou um dos legatos. E nem rolou um ritual de iniciação, hehehe.

Ontem sofri uma espécie de decepção. Engraçado como as coisas acontecem, mal conhecia a pessoa, mas de certa forma, você acaba criando uma expectativa, uma imagem. A primeira impressão a garota nem me pareceu tudo aquilo, mas em poucas palavras você se encanta, se prende. Até ai, tudo lindo e perfeito. Mas o problema aparece e é determinante: você. Você não agrada a pessoa, ela esperava outra coisa de você. Ok, ok, sei que isso ocorre todos os dias, e é super normal, mas ontem foi diferente, uma coisa meio que sem explicação. Já me falaram trilhões de vezes para eu não criar esperanças nas pessoas, se não, vou me foder sempre. Sim, isto é fato. Acho que ainda vou me foder muito por ai, em conta deste bicho chamado “gente”. Não que eu crie expectativa com a primeira fulaninha que aparece na minha frente, de forma alguma. Acontece que uma hora você cansa de toda aquela coisa sem valor, sem sentimento. Você cansa de todo aquele “u-hum!”. Você quer alguém pra se apegar, pra ficar um tempo. Às vezes até alguém que não pegue na sua bunda e não queira trepar com você em um cinema ou em qualquer lugar, na primeira vez que te encontra.

Curtir a vida de forma ‘intensa’ é uma maravilha. Será que me aventurei demais para minha idade, e agora quero um tempo dessa vida? Por favor, não pense que minha vida um sofá que tem uma pessoa deitada nele a cada cinco minutos. Não, não.

Agora resolvi me engatilhar de vez na busca por alguém pra mim. Buscar alguém para realmente amar. Sabe, não sei o que é amar a um bom tempo. Não quero alguém para pedir a mão, ou casar, simplesmente quero alguém. Para um dia de não ter nada o que fazer, ir até a padaria e tomar café com pão de queijo. Quero alguém do meu lado. Pronto. Era isso que eu estava querendo dizer. Alguém do meu lado por um tempo. Podem ficar tranqüilos, não vou virar um louco alienado em busca de alguém... aiuoehaieouheauio!

Enfim, pensei em escrever mais sobre o assunto. Mas pode ficar cansativo, se é que já não está.

Primeira postagem feita. Pensei em escrever umas críticas e opiniões minha, mas fica pra próxima, hoje quis dizer isso, que de certa forma, ainda está preso na minha garganta.

Até a próxima.

20080614

Informação Manipulada

Esse vídeo me fez lembrar de realidades como "V de Vingança", "1984" e "Laranja Mecânica". Me fez submergir nas ditaduras e aprisionamentos de opiniões, imagem e qualquer tipo de comunicação. Como se o Brasil fosse regido por homens como os de Geroge Orwell, James McTeigue e Anthony Burgess.

Por menor e resumido (e um tanto manipulado) que seja o vídeo, senti-me sem saída, aprisionada, ovelha ignorante... Espero que cause algo do tipo à quem vê-lo aqui..

(Os créditos vão para o Luan, pois peguei esse vídeo dos favoritos do orkut dele. Ç: )

Anyway, adiós! [:

20080604

Flavias Espelhadas

Engraçado olhar para esse blog e o blog para a Agência Comunitária de Notícias.
Parecem tão opostos que não parecem mesmo de uma única pessoa.
À começar pelo visual, que há logo um choque de cores, do extremo preto ao extremo branco. De algo clean para algo ofensivo. Do simples ao confuso.
Como reflexos de um espelho.
Como dois mundos divididos pelo vidro, mas ainda sim juntos pela mesma pessoa.

Isso me faz indagar se sou mesmo assim, duas coisas completamente antagônicas, o sim por um lado e o não pelo outro, o preto e o branco... Ou será que sou tudo isso? Tanto o sim quanto o não: o talvez, tanto o preto quanto o branco: o cinza, ou todas as cores...

Eu poderia (contrariando a mim mesma) simplesmente mudar as cores deles e resolveria toda essa dúvida facilmente, mas quem disse que quero?
Os problemas são sempre tão mais legais do que as soluções que até acho graça!

20080507

Essa é a última, e ficarei com a consciência limpa por não ter dado atenção às minhas palavras por todo esse tempo que fiquei sem postar.


(Algumas postagens foram sugadas para uma dimensão paralela, talvez para o meio dos peitos da Nanna, lá cabem muitas coisas. Eu as apaguei por motivos fúteis.)


3 postagens em um único dia, e e ainda não consigo me catalogar e 'profilizar' no blog do Aprendiz.


É, tô fazendo curso no Aprendiz, quem diria. Teste de paciência, é o que eu diria. Um convívio complicadíssimo, onde todos têm o que falar, e alguém tem de escolher o que é relevante ou não para ser ouvido, à partir de critérios que nem Químico-Físico-Quântico bacharelado e nascido pra mudar o mundo explicaria.


Mas eu me satisfaço, afinal, tenho muitos outros lugares para ser ouvida. Minha opinião não é vã. Senão, não a teria. Teria nascido muda, e, se pudesse escolher, surda.

Imagina se fosse obrigada a ouvir às besteira que ouço sem nem poder reinvidicar, gritar e xingar em alto e bom tom -o sarcástico, muito obrigada- o que e quem me incomodar?!


E não é pouco, além disso, ainda me preocupo em fazê-los felizes.

É! Você, que está à me ler agora, o bendito Dimenstein, a tal da 'gordinha roquêra' que sofre tanto preconceito, coitadinha, a minha paciente namorada que, apesar de não exigir muito, eu ainda me esforço loucamente para agradar, mamãe, papai, irmã e vovó! Olha só mas que beleza.


Sabe, certas vezes sou tão afobada em me fazer entender, ser ouvida, mudar opiniões, melhorar o mundo e dar comida pro cachorro, que me esqueço do valor do silêncio.


E aqui eu nunca o apreciei...

E não sou única, alguém já teve o prazer de ouvir ao silêncio à frente de uma tela de computador?

Pois é. Talvez por apenas ter a consciência de que o silêncio aqui existe e faz diferença, apreciemo(s)-lo da próxima vez que passar por nós.


Pois então eu me recluso por aqui. No aconchego do silêncio. Não daqui, no silêncio da minha tagalerice, das minhas idéias, dos vizinhos, do sinal do colégio e da buzina do ônibus. Espero que sonhe com pássaros à cantar, ou quem sabe com a sinfonia n.9 de Beethoven. (que, à propósito, era surdo, mas não mudo.)

101 coisas que já fiz

3. Já raspei os cabelos;
33. Por mais traumático e do capeta que tenha sido, já beijei à três;
34. Já elogiei algum desconhecido;
46. De certa forma, já pratiquei S&M, mas essa ainda está para ser realizada da forma que quis dizer;
58. Não me frustrei quando algo não atingiu às minhas expectativas;


Ps.: Bem que eu gostaria de adicionar alguns outros itens à lista. Mas isso é um caso à parte.
(:

Abelhas cor-de-rosa

Há uma explicação científica para o "Lesbianismo"? (Lesbianismo é uma palavra tão feia, eu prefiro Homossexualismo, mas vou deixá-la para fazer alguém que nem existe nesse mundo internéctico feliz.)

Uma distorção de valores, um 'defeito' em alguma parte do cérebro, uma deficiência de algum filamento, nervo ou o que quer que seja no cérebro.
Garotas que nascem no corpo de homens, homens que nascem dentro de corpos femininos, mentes masculinizadas/feminilizadas, influência da mídia, destino, escolha, modismo, belzebu infernizando dentro do corpo de um coitado... Existem teorias à dar com pau (hê hê, pegou o duplo sentido, hum, hum?!), mas, em qual você acredita?

Há alguns dias atrás me lembrei de algumas curiosidades sobre a atração entre os sexos opostos, e o que acontece com eles - instintivamente.
Dentre todas, tem uma em especial que diz que um sexo é atraído pelo aroma do Feromônio que o outro exala. Cada um tem um cheiro específico, e, não se preocupe, você nunca vai feder por causa dele, e ele só é perceptível no 'inconsciente' das pessoas (até então, só nos das pessoas do sexo oposto, mas eis que surge o homossexualismo pra complicar)... As pessoas que produzem mais feromônio são as mais, digamos, atrativas. As que produzem menos são aquelas frustradas que, provavelmente, se tornarão líderes de seitas religiosas.

E se, o Lesbianismo (homossexualismo) não for nada disso, nada 'quebrado', nada predestinado, nada do "Lado negro (ou rosa) da força"?
E se o Lesbianismo (homossexualismo!) for uma reação química que geralmente é causado somente entre sexos opostos, e, por uma ligeira mudança de 'padrões' (o que, no caso, faz com que não sejam mais padrões) acontece conosco? E se nós nos atraímos pelo "nosso próprio" Feromônio?

Não somos doentes, não somos deficientes, não somos condenados por deus nem pelo belzebu. Somos diferentes.
Abelhas que procuram - e encontram - o néctar na nossa pópria colméia, ao invés de sair à caça deles nas flores alheias...