20080409

Tornando-se apaixonada.

Engraçado quando estamos apaixonados, nos tornamos tudo o que não éramos, ou tudo o que evitávamos ser.
Não era de chamar ninguém de amor, não era de falar o quanto gostava de alguém, não era de sentir ciúmes da atenção.
Não era de não pensar em coisas mais profundas, não era de esquecer o mundo e minhas preocupações, não era de me achar bonita mesmo com aquela puta cara de quem dormiu dentro de uma caixa de papelão.
Eu não era, e nunca fui de pensar pouco, sobre pouco.
Não era.
Agora sou.
Sou feliz. Não por isso, apesar disso.
Não gostaria que fosse, mas sou.
Apaixonada. Tudo isso.


Ps.: Tenho também notado quão vazias têm se tornado minhas postagens, quão abandonado tem se tornado esse post, e quão deprimida tnho me tornado quanto mais tempo passo em casa. Então, quem (alguém) estiver à ler isso, que me perdoe... Não que essa depressão justifique, mas dá pra dar um desconto.

20080316

Ser...

O som do semblante
sorriso mutante.

Os olhos que temem
as forças que sentem.

Braços que correm
o corpo que dorme.

A alma padece,
enquanto a mente fortalece...


-
Seguindo às regras, para variar um pouco.

Ps: Acredita que estou ainda à espera dos outros dois Legatos, que até agora não se manifestaram?!
Humpf!

20080315

In-matéria

Quem dera eu, fosse nada além de causa.
Nada além de idéia, solta no ar, presa nos lábios. Forte, estrondosa, certa e indagável.
Quem dera eu fosse persona non-viva, física forma do arder de uma paixão.
Quem dera eu fosse força, visão, e certeza.
Vaga, pelo ar. Completa, pelo sangue. Quente, pelo amor.
Quem dera eu exalasse perfume de liberdade. Brilhasse esperança, colorisse verdade.
Carne. Putrefa, vermelha, rígida, terna.
Quem dera eu, fosse Karl, Engels, Luther King, Dalai e Che.

20080308

Rosas vermelhas

Era feliz onde morava.
Nascera do broto de uma margarida. Assim como todos de lá.
A margarida, tão bela e singela. Tinha toda sua felicidade alí.
Ela era a vida. E a vida era ela.
Não tinha pai nem mãe. Não sentia falta. Nunca soube o que era.
A vida lhe era simples e complicada ao mesmo tempo, como aqui. Mas como se fosse a mais perfeita criatura, tinha todo o tempo para dedicar à essa tão contraditória vida.
Não precisava gastá-la sentindo-se ora feliz ora triste. Ora amado ora abandonado.
Não, não tinha tempo para isso. Na verdade, não sabia como sentir-se assim.
Cultivava sua bela margarida num jardinzinho simples, humilde. Mas ela não pedia mais do que isso.
Viver.
Era só o que ele devia à ela. Sua vida.
Certa vez dormiu ao seu lado. Ela era branca. E foi assim que sonhou. Branco, vazio.
Acabou por se encontrar num lugar esquisito, cheio de gente diferente, que anseiava pela aceitação e companhia de outras mais criaturas esquisitas.
E as margaridas. Oh, pobres margaridas!
Eles as mastigavam com aqueles pés sujos e sem cor, arrancavam-lhes suas pétalas, arrancavam-lhes a vida.
Não sabia o que sentir. Nunca havia sentido na vida.
Mas achava que deveria sentir algo. Não deveria apenas pensar.
Estava errado. Algo estava errado.
Voltou ao branco.
Não sabia mais o que era a vida. Suas vidas eram despedaçadas lá naquele lugar. E ninguém se importava!
Que deveria ser mais importante do que aquelas endeusadas margaridinhas?
Caminhou.
Correu, pensou.
Nada.
Nada havia, nada sentia, nada existia.
Ele. Que era ele?
Branco. Vazio. Como sua margarida.
Sem vida, como as margaridas daquele lugar sinistro.
Sentiu-se seco.
Esvaindo-se dele mesmo. Onde estava sua margarida?
Oh! Ficara tempo demais longe. Sua margarida estava se amargurando.
Sua vida, sua pobre, frágil e branca vida estava morrendo e nada ele podia fazer para tornar a alegrá-la.
Estava preso naquele branco. Branco ele era.
Nada podia fazer.
Nada podia ser.
Que fizeram aquelas terríveis criaturas?
Tiraram sua vida.
Tiraram-lhe o único sentimento que jamais aprendera a ter. A compaixão.
Porque não tinham a compaixão?
Quem era aquela gente?
Uma lágrima escorrera.
Sentira.
Sentira aquela fria, cortante, furiosa lágrima.
Uma pétala de sua branca vida caíra.
Morrera.
Não mais branco e vazio.
Morrera vermelho. Vermelho raivoso.
Vermelho perigoso.
Vermelho rosa.
Ps: Queria colocar uma foto que eu tirei de uma rosa daqui de casa, mas ela está no computador da minha mãe e não tenho a menor paciência de ir até lá para colocá-la. Esse é um desenho que fiz há teeempos.
Pps: Minha mãe falou que posso reunir todos meus Contos, que ela levará em uma gráfica para publicá-los em um livro. Mas não sei se quero.

20080223

Drogas e esfihas

Eu tinha muito à dizer.
Escrevi sobre tudo o que vivi e até sobre gente fictícia. E poderia ter continuado se não tivesse visto que 5 textos desconectos um do outro já são mais do que suficientes para um dia só...

Essas são duas dissertações que fiz em diferentes épocas, mas que se completam:

-A paixão:

A paixão é como uma esfiha de queijo do Habib's.
É uma comparação um tanto quanto frouxa, você pensa... Mas repara só:
Quando você sente aquele cheirinho da esfiha, você quer porque quer comer umas 150 esfihas. Quando você dá a primeira mordida você logo vê que era tudo marmelada, a esfiha nem tinha gosto de nada!
E quando você vê algum amigo com sua namoradinha, você acha aquilo tão maravilhoso... Sente aquela ânsia de ter um relacionamento daquele pra você.
Mas quando você o tem, não era nada daquilo que sonhou, tão insosso e problemático quanto aquela esfiha farinhenta que te enganou...

-E o amor:
Amar,é como uma droga. No começo vem a sensação de euforia, de total entrega.
Depois, no dia seguinte, você quer mais. Ainda não se viciou, mas gostou da sensação, e acha que pode mantê-la sob controle. Pensa na pessoa amada durante dois minutos e esquece por três horas. Mas aos poucos, você se acostuma com aquela pessoa, e passa a depender completamente dela. Então pensa por três horas, e esquece por dois minutos. Se ela não está perto, você experimenta as mesmas sensações que os viciados têm quando não conseguem a droga. Neste momento, assim como os viciados roubam e se humilham para conseguir o que precisam, você está disposta a fazer qualquer coisa pelo amor.


ps; Pontos da lista que foram completos: 30, 31, 43 e 58.

20080207

Tediosos dias desinspirados


Minha musa inspiradora deve ter resolvido sair de ferias, pois estou completamente vazia e sem a menor determinação para concluir e/ou dar sentido a antigas ideias.
Estou usando um teclado americano, entao perdoe(m)-me pela falta de acentos e cedilhas aqui.






"Não poríamos a mão no fogo pelas nossas opiniões: não temos assim tanta certeza delas. Mas talvez nos deixemos queimar para podermos ter e mudar as nossas opiniões."
Citação de Friedrich Nietzsche

-
Desinspiração

Estar junto de alguém é ter no que pensar
ter com quem pensar
ter e não ter a cabeça cheia de coisas preocupantes

Estar junto de alguém é ter vontade de falar, falar, falar e falar
escrever, escrever, escrever e escrever
Estar junto de alguém é ter com quem falar todas as besteiras que você nunca quer falar mas sempre quis falar.

Estar junto de alguém é viver um silêncio delicioso
um sorriso confortante
uma palavra inesperada.

Estar junto de alguém é criar milhões de expectativas, e ao mesmo tempo não esperar nada.

Estar junto de alguém é perder gente que te importa demais
e esperar que não seja pra sempre.

Estar junto de alguém, mesmo que por tão pouco tempo, é se ver tentada à ficar, e ver que o melhor é sair.

Estar junto de alguém é causar inveja, mau-olhado, mentira,
aos que você nem imaginava que causaria.
é se sentir bem sem que ninguém consiga perceber sem que ninguém consiga compreender.

Estar junto de alguém é passar por provas
é ter de provar a si mesmo quem tu és e quais seus valores.
é ver seus amigos falharem nessas provas. (e ainda tê-los como amigos independente disso)

Estar junto de alguém é ver que as pessoas são egoístas (inclusive você mesmo)
é sentir raiva, compreensão, dor, tristeza, confusão, impotência.
é sentir ânsia, desespero, dúvida, incompreensão. e o pior, não por esse alguém...

Estar junto de alguém, mesmo que por três segundos
é sentir conforto, apoio, ternura.
algo que nem no dicionário existe palavra que descreva.

Estar junto de alguém é ver que só se entende quem vive o momento, pois ele é fácil esquecido
e teimosamente ignorado.

Estar junto de alguém é estar só em você mesmo
estar só junto desse alguém
é ser só, sendo dois.

Estar junto de alguém é, incrivelmente, se sentir dividida
querer ficar sozinho para sempre para não ferir ninguém
querer se ferir para ver em todos um belo, constante (e egoísta) sorriso.

É se sentir totalmente privado de certas felicidades para vê-los dessa forma.

Estar junto de alguém é se enganar.
que tudo isso seja verdade e não meras palavras repetidas muitas vezes em nossas cabeças até que pareçam verdade.

(Sinceramente, nao sei porque o chamei de Desinspiração, mas isso nao se muda, nao é mesmo?!)

20080202

"Dá-me mais um trago"

Meus amigos me inspiram... Ô se me inspiram.
Às vezes à fazer coisas ruins, às vezes prá falar, às vezes prá escrever.
Meu amigo me inspirou, eu apenas o segui prá onde ele me levava:

Fumando um cigarro de palavras,
baforando letras, esfumaçando pensamentos.
À cada tragada que dou uma idéia se solta no ar..
Livra-te, bolota seca e idiota!!
Flutua-te para fora de minha cabeça, verme!
Meus dedos latejam só de te segurar, através da piteira preta de metal sujo...
Meus olhos escurecem, fecham-se. Não hei de precisar deles para onde tu me levas.
Sinto-te te debater dentro da minha boca,agarra-te em meu gargalo (minha campainha te tocas)
até que se desfaça, e não passe de pequeninas e solitárias vogais sem som.
Meus dedos do pé formigam, meus pêlos se arrepiam.
Bato a cinza colorida que fazes no papel em branco...
Elas se soltam e dançam infantilmente por toda a limitada superfície (coisa nova),cambaleando pelas bordas,brincando com essas linhas que te matam.
Teu fogo queima docemente meus lábios, eles adormecem...
Teu gosto me consome, tuas letras me possuem.
Meus pensamentos se dissipam na fumaça que desce pelo meu nariz rasgando(-se)Até que se solte cinza e sereno feito fumaça podre.
Uma última tragada, e eu juro que esse é o último.


Estou embriagada, com fome, sono e uma louca dôr de estômago.
(nunca mais bebo cerveja)

20080130

Difícil diálogo (ou monólogo) com uma pseudo-artista:

-Oi Fla! Quê você tá fazendo?
-Escrevendo...
-Ah tá, quando você terminar me avisa?
-Uhum...

(horas depois)

-Flá, o que você tá fazendo agora?
-Desenhando...
-Ah tá, quando você terminar me avisa?
-Uhum...

(mais horas depois)

-Flá, acabou?
-aquele sim, agora tô desenhando outra coisa...
-Ah...
-Flá?
-Huuum?
-Sobre o que você tava escrevendo?
-sobre o que eu tô desenhando agora...
-Ah... Tá. Quando voc...
-Quando eu terminar eu te aviso.

(mais outras horas depois)

-Flá, desculpa estar enchendo o saco, mas...
-Nada, fique à vontade, sou um buraco negro.
-É que... Buraco Negro?
-É, que nunca tem fim, tipo um saco furado.
-Ah tá. Você já terminou de desenhar?
-Uhum.
-E o que você fazendo agora?
-Passando pro computador tudo o que escrevi.
-Ah...

(minutos depois)

-Flá, vou sair.
-Ah, pq? Agora que eu queria falar com você!
-Legal, você terminou de fazer tudo o que você tinha prá fazer que era mais importante do que eu?
-Uhum. Então, agora que você tá aqui, queria que você desse uma lida no que eu escrevi.

20080128

Uma mente que se amedronta

Ontem eu vi uma das pessoas que mais me inspira, ao vivo, côres e sons...

Ela era linda, serena, e eu podia ver através de seus olhos, mesmo que àquela distância toda, um milhão de pensamentos à rodar tão rápido, tão rápido, que fizeram sentir-me tonta e, apesar de ter tido a vontade de ficar à fitá-los por horas e mais horas, até que enfim ela adormecesse, tive de desviar os olhos logo que eles se encontraram.

Ela se aproximara, e eu podia ver as curvas de todos os seus cachos. E oh, eles eram tão angelicais!

Como no momento de êxtase de um filme de ação - eu sendo a personagem principal que não deveria abrir o pacote, mas que resolveu abrir só para ver o quão perigoso era, correndo o risco de acabar com toda a humanidade - eu voltei à procurar seus olhos... E ao encontrá-los, pude ver que, mesmo que logo abaixo havia um sorriso sincero, seus olhos eram tristes. Vazios como se olhasse para a tela de um computador e, mesmo vendo que não havia nada ali, sabía que lá corria insandecidamente um monte de informação...

Eu podia ouvi-la cantar aquela voz possante e ainda sim acolhedora ao meu lado... Ao meu lado!! Dizendo nada mais do que uma leve conversinha manjada, um daqueles papos "Oi! Que belo dia, não?! E aí, que saudades!", mas que soaram tão lindos vindos
dela.

Meus lábios tremiam para metralhá-la de elogios e assuntos que morria de vontade de discutir com
ela. Comentar sobre algo que ela escrevera, entregar-lhe tudo o que eu escrevera em toda a minha vida.

Sentia um carinho tão grande por
ela, sentia que a conhecia de tão longos anos, sem ao menos ter trocado um mero grunhido com ela... Tão logo, senti-me patética. O ser mais patético de toda a galáxia, de toda a existência. Senti-me mais patética que o ser mais patético que jamais vivera desde que se criara a vida!

Patética de nunca ter tido a coragem de falar com
ela. Patética de ver tanto, e sentir tanto por alguém que nada mais é do que outro ser insignificante aqui, como eu mesma.

Ela fora embora. como se tivesse cansado de esperar que eu parasse de vagar na escuridão que eram seus olhos...

Ela fora embora, e eu ficara alí. Patética.

20080127

Eterno Legato?

Bom, como primeira postagem do blog, me senti na obrigação de explicar o porquê desse estranho nome.
Talvez não lhe seja tão relevante, talvez não lhe seja tão estranho e eu é quem estou viajando na maionese, mas eis que o está, 'para não dizer que não falei das flôres'...

Para os familiarizados com a música e suas "estúpidas" teorias, já se sabe que o Legato é um desenho que se faz acima de determinadas notas, que simboliza o 'prolongar' do seu seu som. Para sopristas é um tanto quanto difícil quando muito longo, já que se deve fazê-lo usando a tal da (por mim temida e almejada) respiração circular, enquanto para os de corda basta fazer um único movimento contínuo com o arco...

Aí você me pergunta: E que diabos isso tem à ver com esse seu malditozinho blog?
E eu colo-lhe na testa como um Zap! num truco disputado: Se o Legato na música consiste em ligar as notas successivas, de modo que não haja nenhum silêncio entre elas, então o Legato na fala consiste em expressar-se sem pausa.
Falar o quanto nos convir, do modo que nos convir, sem que haja qualquer tipo de interrupção ou barreira. Seja nenhum impedimento de falar palavrão, fazer piadinha, xingar a diretora do colégio, contar o quanto nossa mãe é gorda ou relatar alguma falcatrua de algum poder hierárquico não-desejado que por acaso chegar aos nossos ouvidos e dedos afiados.

Eis que estamos, eternos Legato, e nós não nos calaremos!